sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Entrevista com um praticante de BDSM com deficiência física

Cléber, tem 33 anos é de São Paulo, Dominador.


1- Sua deficiência é congênita ou adquirida?

R: Sofri um acidente em 2007 onde cai de 9 metros de altura de uma ponte. Na queda perfurei dois pulmões, quebrei a bacia e a coluna em algumas partes o que me resultou em uma lesão medular (paraplegia) fiquei paraplégico.


2- Como você se descobriu no BDSM?

R: Logo após a alta do hospital, chegar em casa e descobrir como seria minha vida de agora em diante, uma coisa me veio a mente: E agora a minha vida sexual? Minha ereção ficou prejudica devido a minha lesão um turbilhão de pensamentos surgiram em minha mente confesso. Mas um dia estava eu a fuçar o Orkut quando numa comunidade fetichista conheço uma garota, papo vai, papo vem, marcamos de sair e rolou de ficarmos juntos no mesmo dia. No meio das trocas de caricias a mesma me tira um chicote (flogguer da bolsa) e me fala Cleber usa isto em mim, mas me bata com força, como homem POR FAVOR! O medo tomou conta de mim naquele instante, pensei em larga-la ali, mas dei a chicotada mesmo assim, 1,2,5,varias,os gritos eram constantes, seu sexo escorria de prazer, ela gozou tanto com aquilo, que aquele tal ato de chicotear não saiu mais da minha cabeça e de minhas vontades, foi depois disto que comecei a pesquisar tudo sobre BDSM na internet, pois a então submissa que me apresentou a este universo era tão iniciante quanto eu.....


3- Você vive alguma relação atualmente ou se sente satisfeito com sessões?

R: Tenho uma submissa a qual agora em outubro completaremos um ano de D/s. Ela completamente iniciante, nunca havia tido qualquer informação sobre SM foi totalmente adestrada por mim. Mês a mês superando seus medos e anseios, claro que ainda existem limites entre nossa D/s, limites este que respeito, pois pra mim Dominação é obter o prazer de ambos e não apenas o meu.


4- Quais são as principais dificuldades encontradas para realizar as práticas que mais gosta?

R: O dominador usa de suas mãos para o spanking e de sua sabedoria para conduzir uma D/s, como só não mexo as pernas, não encontro nenhum tipo de dificuldade, mas pra você que esta lendo esta entrevista agora e é tetraplégico, ou possui algum tipo de deficiência saiba que você pode sim ser um dominador, quem falar ao contrario esta mentindo e não entende nada de BDSM.
5- Possui algum limite relacionado à sua deficiência?

R: Meu limite e não andar, apenas este rs


6- Você costuma lidar com o preconceito vindo de outros praticantes? Se sim que tipo de comentários fazem a seu respeito?

R: Imagina, fui muitoooooooooooo bem acolhido por outros praticantes do meio SM. Comentários a meu respeito são de que acha legal alguém superar tal deficiência dar a cara pra bater e mostrar que todos podem fazer e serem o que quiserem sem limites! Os limites as vezes somos nos mesmos que nos impomos. Dominadores que eu era fã e tive a oportunidade de conhecer porque me viram fazer cena na cadeira de rodas e acharam legal. Estou criando lindas amizades no meio e espero mantê-las.


7- Desde que passei a estudar sobre as deficiências mais comuns existentes, considero a deficiência física como a mais fácil de lidar desde que só afete a locomoção não outros quesitos como a sanidade, tenho esse pensamento pois sei que alguns tipos de deficiência podem oferecer perigo a quem pratica se não analisados corretamente e realizados uma adaptação se necessário. Você conhece outros praticantes com outro tipo de deficiência? Se sim poderia nos falar um pouco a respeito?

R: Olha não conheço outro top na cadeira de rodas como eu em SP pelo menos, mas sei que existem pessoas até cegas, tetraplégicas, sim no meio SM porque já me falaram.


8- Como foi para você se descobrir como praticante? Houve alguma forma de negação e aceitação de sua parte?

R: Ouve uma negação minha no começo, perguntas como: Será que estou ficando louco por gostar disto, será que sou normal? Mas acredito que numa
relação D/s onde se é feita com responsabilidade e cuidados, não existe nada de doentio e sim prazeroso.


9- Quais os cuidados que costuma tomar durante suas sessões?

R: Os cuidados são: respeitar a minha menina SSC TUDO SÃO, SEGURO,E CONSENSUAL !Sei o que posso ou não fazer com ela, pois foi eu quem a adestrei, sei como posso bater, com o que bater... Não sou sádico, apesar de gostar muiiiiiiiiito de spanking, não curto nada com sangue, este é um limite pra mim...


10- Sua deficiência afeta seu desempenho sexual? Se sim como você lida com isso? Foi fácil encontrar praticantes dispostos a ter uma sessão com você sem o pensamento de que não será prazeroso para ambos?

R: Sim, minha deficiência afetou a minha ereção, o que é algo extremamente importante para um homem... Bom, antes eu só dava prazer as mulheres, as fazia gozar e me sentia vazio, pensava: Poxa e eu? Minha ereção é ruim, só dou prazer, também quero voltar a senti-lo. Foi ai que resolvi viver minhas relações só de BDSM. Olha Ingrid, não vi preconceito nenhum comigo no meio quanto a submissas de eu ser paraplégico, pelo contrario vi muita aceitação! Sabe aquele ditado a curiosidade aguça os sentidos rsrs muitas delas tem esta curiosidade...



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